Inauguração do novo Posto de Turismo das Lajes do Pico e da requalificação da Praça do Museu dos Baleeiros
Atualizado em quarta, 03 julho 2019, 13:27
No dia do feriado municipal, a inauguração do novo Posto de Turismo das Lajes do Pico e da requalificação da Praça do Museu dos Baleeiros é mais uma obra na frente marítima da vila das Lajes do Pico, em que o investimento soma mais de 3 milhões de euros, no Passeio Marítimo, estendido da Maré até à antiga Fábrica da Baleia, no Jardim da Baleia, nos balneários da Maré e neste novo edifício que integra, além do Posto de Turismo, instalações Sanitárias Públicas e o Baleia’s Café, um espaço com uma moldura paisagística que impressiona porque é um dos mais bonitos cafés-restaurantes do concelho das Lajes, da ilha do Pico e dos Açores, numa proximidade deslumbrante dos portos de pescas e de recreio náutico, do mar da baía das Lajes e da singular Montanha do Pico.
Mas esta não é uma obra qualquer. Esta é a obra de 10 anos de governação do Município das Lajes do Pico pelo impacto que desencadeia na melhoria da atratividade da vila das Lajes do Pico, porventura a mais bela vila dos Açores; pela reconquista que desperta, em muitos corações, de um certo orgulho perdido; pelo novo olhar que a todos inspira, nesta fajã ancorada no Pico, a sul, que atrai as baleias, que se liga à Montanha de Portugal numa viagem, dentro de nós, de afetos, de carinho, de abraços, que a todos encanta e arrepia, nesta maravilhosa natureza Açoriana, em que estar na ilha é não estar no mar.
As Lajes do Pico, uma fajã fantástica sem ilhas em frente, apenas acarinhada pela ilha por detrás, que recebeu o primeiro povoador do Pico, o primeiro picaroto, onde se construiu a primeira povoação da ilha, elevada a Vila em 1501; as Lajes do Pico, Sede de um concelho que é uma espécie de concelho do interior com vista para o mar, muito valorizada pelo Governo Regional dos Açores que, depois da construção do molhe de protecção da vila das Lajes, que tornou possível esta obra, ajudará a Câmara Municipal no seu financiamento, na reabilitação das antigas casas dos botes, cujo concurso será lançado nas próximas semanas e na construção do centro de apoio às atividades marítimas, junto do caneiro onde se situa o Monumento aos Baleeiros.
Esta não é uma obra qualquer porque se situa num local mítico, de onde partiram para a baleia esses homens sem medo, buscando o pão para a mesa dos seus filhos, através da captura de baleias que não cabiam no barco, deixando em terra o coração com as suas mulheres do altar, do berço, do amor que rezaram incontáveis terços em honra de Nossa Senhora de Lourdes, pedindo a sua graça na proteção divina, quantas vezes obtida, na luta de uma vila, de um concelho, de um povo pela sobrevivência, que sempre buscou a dignidade, comendo o pão que não havia, deixando a pele nas pedras negras de lava e nestes mares do sul, aqui e ali remexidos por misteriosos ventos e marés.
Esta obra não é uma obra qualquer porque carrega uma beleza e um simbolismo maiores do que se esperava, porque estabelece uma relação extraordinária com o Museu dos Baleeiros, respeitando o passado, a história, a tradição e a paixão que temos por esta terra, vivendo, trabalhando e sonhando por amor à nossa terra, um novo edifício e uma praça requalificada, que nos juntam como Povo, que nos incentivam a ter mais audácia, que nos responsabilizam, ainda mais, na busca incessante da felicidade e da melhoria da qualidade de vida, em especial dos que mais precisam, que nos renovam o olhar sobre o futuro, que um dia há-de também ser história, tradição, literatura, música, respeito pelo ambiente, um novo olhar obrigatoriamente ecológico, mas que não nos permite perder, nem da vista, nem da coragem política, a humanização que o território aceita.
Um novo olhar que sustenta o projeto liderado nos Açores pela Câmara Municipal das Lajes do Pico, da candidatura à Unesco da Cultura da Baleia a Património da Humanidade, a partir da ideia simples da conversão da baleação na observação e preservação das baleias, que reconfigura a relação mítica, de afetos, mesmo de paixão, das mulheres e dos homens com as baleias, numa síntese entre a história e a ecologia, no incremento do turismo cultural e de natureza, uma classificação, que acentuará a singularidade desta terra de baleeiros, desta terra de mar de baleias, que perpetuará o admirável património das Lajes do Pico, a Capital dos Açores da Cultura da Baleia.
Aqui estamos há mais de cinco séculos nas Lajes do Pico, onde a ilha viu o primeiro homem e a primeira mulher, o primeiro pão e a primeira vinha, o primeiro terço e a primeira ermida, a primeira casa e o primeiro barco, o primeiro peixe e a primeira baleia, aqui estamos numa terra de mistérios, honrando, a 518 anos da criação do Município das Lajes do Pico, o legado das primeiras gerações, reconhecendo e agradecendo, com a bênção no dia de São Pedro, todas as mulheres e todos os homens que construíram, ao longo de mais de cinco séculos, este admirável concelho das Lajes do Pico, o primeiro concelho do Pico.
No pêndulo do tempo, o novo edifício e a requalificação da Praça do Museu dos Baleeiros significam uma viagem à alma desta terra, à alma do nosso Povo.
Esta não é uma obra qualquer!
Lajes do Pico, 29 de junho de 2019
O Presidente da Câmara Municipal das Lajes do Pico,
Roberto Silva










