"Lajes do Pico Capital da Cultura da Baleia" apresentada na BTL 2017
Atualizado em domingo, 19 março 2017, 00:06
No Concelho e na Vila das Lajes do Pico, a Vila Baleeira dos Açores, condensa-se um conjunto notável de vestígios materiais e imateriais do universo da cultura baleeira mundial, que preserva a singularidade local, mas que, simultaneamente, cumpre a sua vocação universal.
Nenhuma outra criatura, como a Baleia, faz parte do imaginário do Homem, de forma tão intensa e duradoura. Animal misterioso e místico, a baleia inspirou lendas, terrores, cobiças e fascínios. Está presente, desde sempre, na Literatura e na Arte, povoando os nossos sonhos e os nossos medos ancestrais.
A baleia ajudou a criar um povo de heróis. Um modo de vida marcado por uma medular força de sobrevivência. Uma epopeia global por todos os mares do mundo.
A baleação foi a mais espantosa actividade piscatória que o homem exerceu sobre o Planeta. Os açorianos participaram, durante os séculos XVIII e XIX, na baleação anglo-americana, transoceânica e de longo curso. A partir de meados do século XIX introduzimos a baleação sedentária e artesanal nos Açores. Nas décadas de 80 e de 90 do século XX, a valorização ecológica dos cetáceos e a musealização da cultura baleeira marcaram a identidade açoriana. A baleia renasceu como objecto de culto, emblema e símbolo dos Açores.
Nenhum outro lugar, como as Lajes do Pico, foi capaz de converter a sua tradição baleeira num tão rico património. Nenhum outro lugar possui estruturas museológicas, espaços de memória, dinâmicas e estratégias de reinvenção patrimonial, associados à cultura da baleia, únicos no mundo. A observação das baleias veio substituir a caça de outrora por uma actividade que recontextualiza a relação secular e mítica dos homens com as baleias. As Lajes do Pico, desde cedo, e com carácter pioneiro, assumiu-se como um espaço de referência, e uma imagem genial, desta nova cultura da baleia. Aqui, como em nenhum outro lugar do mundo, se faz a síntese entre a História e a Ecologia. Aqui, a memória funde-se com a natureza profunda. Com o mar e as grandes baleias, numa liturgia sagrada.
As Lajes do Pico são uma varanda escancarada sobre a História e sobre o Mar, entendido este como uma espécie de coração do mundo, fonte e consciência biológica de tudo.
As Lajes do Pico transformaram-se numa das grandes plataformas mundiais para a descodificação dos mistérios associados a todo este imaginário natural e cultural. Repositório, vitrine, redoma, santuário, museu vivo, paisagem cultural excepcional, as Lajes do Pico são hoje um símbolo e uma imagem mundial dessa iconografia e dessa mitografia profundas, que se podem sintetizar na “Cultura da Baleia”.
Porque faz sentido, porque é legítimo e porque prestigia os Açores e afirma Portugal no Mundo, precisamos de reconhecer a excepcionalidade deste invulgar património. A sua dimensão regional, nacional e internacional.
Merecem, pois, as Lajes do Pico uma candidatura da Cultura da Baleia a Património Mundial da Unesco.
É justificada, numa terra em que a Vida é Baleia, a criação da marca Lajes do Pico: Capital da Cultura da Baleia.
Lisboa (BTL), 18 de março de 2017
O Presidente da Câmara
Roberto Silva






